Mostrando postagens com marcador inverno. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador inverno. Mostrar todas as postagens

Cativar-te-ei. Ou não.

E nós estavámos ali, parados no meio daquela praça vazia, sem dizer nada. O vento fazia seus cabelos balançarem de um jeito disforme, agradável.
Há doze meses você pediu permissão para se sentar na cadeira vaga da mesa em que eu estava, naquela cafeteria simpática no centro da cidade. Há doze meses, eu o permiti. Há doze meses, sentados frente a uma mesa daquela cafeteria simpática, nós conversamos sobre nossas vidas e gostos. Há doze meses, passamos a nos encontrar sempre naquela mesma mesa daquela cafeteria simpática.
Você me cativou, me fez precisar da sua companhia, da sua voz, do seu sorriso, do seu cheiro, das suas cores. Você me cativou.
E naquela hora, aquela na praça vazia, com o vento... estava tão frio. O que eu mais queria era que você me abraçasse, mas isso não aconteceu. Não naquela hora fria. Você, por dentro, estava como o final do mês de junho, como o vento que batia no meu e no seu rosto. Você não era nada você. Ou então estivesse sendo mais do que nunca. Mas o que marcou, foi que você, em meio aquelas golfadas frias de ar, não era nada eu.
E única coisa em que eu pensava era seu hálito de café habitual, que aliás, no momento não existia. Seu hálito de café e tudo que estava relacionado a ele: as vezes em que você me acordou sussurando em meu ouvido, os beijos, as brigas, as conversas, os abraços, a gente. Naquela hora, era como se nada disso tivesse existido.
Você finalmente me abraçou, mas não dizia nada. Eu não queria mais ficar envolta em seus braços, eu queria uma explicação. Mas o que recebi foi seu sussuro - sem cheiro de café -, dizendo "acabou".
E agora eu me pergunto, te pergunto: você não aprendeu com O Pequeno Príncipe que nós nos tornamos responsáveis pelo que cativamos?
Eu aprendi que nós só conhecemos bem as coisas que cativamos, e naquela hora, eu não te conhecia.

Changes

Quando olhei praquele monte de calças, camisetas e meias no chão do meu quarto e comecei a ficar incomodada por não conseguir mais ver a madeira envernizada, subi imediatamente em minha cama, ficando em pé. Tive vontade de pular nela devido ao colchão de molas, mas não o fiz.
Eu olhava aquele monte de pano sujo e suado e via minha vida. Bagunçada, nojenta, gasta. Eu podia ver cada momento dela, cada pedacinho, cada não, cada palavra que não devia ter sido dita, cada frase que não foi.
Eu via um nada. Um nada confuso.
Via meus verões cheios de neve, meu inverno cheio de sol. Era tudo desconexo, tudo sem sentido, tudo de cabeça para baixo.
Via meu outono inteiro verde, e minha primavera sem cor. Desconhecia meu próprio mundinho.
Fiquei algumas meias horas olhando indignada aquela pseudo-vida, pseudo-felicidade. Aquilo me corroía, aquilo tinha que sumir.
Desci da cama. Comecei pelas meias.

Inverno

Pra falar a verdade, não sei quanto tempo se passou desde o dia em que te vi saindo pela porta dos fundos. Parece que o tempo congelou, já que os dias têm demorado a passar. Não sei nem se eles passam mesmo... Mas acho que isso nao importa. Pra que contar os segundos, os minutos, as horas, os dias, as semanas, os meses, os anos, se no final você não voltará por aquela mesma porta que te deixou ir embora? Somente folhas secas e o vento frio do mês de julho.
E pensando bem, vejo que além de levar suar roupas dentro da mala velha, você levou parte de mim. Talvez nao só uma parte, mas eu inteira. Acho que é por isso que costumo estranhar o lugar em que estou. Essas paredes frias não podem mais ser chamadas de lar, desde aquele dia. Era inverno, era frio, era triste, e mesmo assim você saiu pela porta dos fundos.

Twitter

Seguidores

Visitantes

free counters
 

Tonksbond Blog | Layout por @vtkosq