Vem cá, toma, acende esse cigarro. Senta aqui no sofá, esquece isso. Falemos sobre as palavras dos queridíssimos Mário Quintana e Hilda Hilst, falemos sobre as cores. Toma, uma xícara de café. Engole a indiferença com esse líquido preto e morno, que eu não gosto de te ver assim. Era meio alaranjada, ela respondeu. E fria, também. Mas isso não é uma cor.
Não mesmo, mas também serve. Acendi outro cigarro, e ela permaneceu quieta, contemplando a fumaça que saía do Marlboro recém jogado no cinzeiro, que subia num fio tênue e dissipava-se conforme atingia uma altura maior. Tive vontade de mandá-la embora, de apagar o cigarro em sua lingua, depois acender outro e apagá-lo em seu olho esquerdo. O que diabos era uma manhã alaranjada e fria? Uma manhã alaranjada e fria significa.., ela sussurou, quebrando o silêncio. Talvez tivesse entrado em minha mente. Talvez manhãs alaranjadas e frias fossem aquelas que te ensinam a ler pensamentos. Significa uma manhã como outra qualquer, exceto pelas pessoas. Ela passou a olhar pra dentro da própria xícara de café. Elas se tornam mais deprimentes do que habitualmente são, e isso é assombroso. É como se te olhassem querendo te devorar, e não no sentido bom. E quando você olha pra elas, vê apenas um nada. Talvez fossem aquele branco liso e calmo que Caio F. fala sobre em Uma História de Borboletas, aqueles bichos brancos e sujos. Mas não havia uma borboleta sequer em meus cabelos, nem nos das outras pessoas. A próxima manhã, espero ser azul e quente.
Outro cigarro, e mais outro, e outro, até acabar o maço. Nenhum deles apagado na língua, tampouco nos olhos. Pelo menos não visivelmente, nem por mim.
Hero/Heroine.
Ontem eu pensei no dia em que fomos enquadrados pela polícia por estarmos fumando maconha. Você se lembra de como gelamos quando o policial de ombros e peitoral do tamanho do mundo perguntou nossos nomes e pediu o número de nossas identidades? Hoje não fumo mais cinco baseados por dia. Aliás, nao fumo nem um. Só cigarro, mesmo. Lucky Strike, aquele que você odiava.
Lembrei das várias noites banhadas à pinga de dois reais, e de você segurando meu cabelo pra eu vomitar. Nós ríamos de tudo. Qualquer pedra caindo no chão era capaz de nos deixar sem fôlego.
Hoje, só bebo café.
Você costumava me contar a história de um amigo seu de infância, que mal saía de casa, e gostava muito de ler livros. Você dizia que ele nao aproveitava a vida, e que morreu por causa disso. Você dizia que não conseguiria passar uma noite sequer dentro de casa, e que livros não davam barato. Eu descobri que amo ler, e sempre dou risada quando penso na cara que você faria se me visse sentada numa poltrona com um livro aberto em meu colo.
"Um dia, nós vamos pra Europa. Em alguns lugares, lá é tudo liberado. Ir pra lá com você vai ser a melhor coisa do mundo".
"Você me faz bem, sabe? Chega a me fazer mais bem que a maconha.. E olha que isso é raro acontecer".
Sete anos, e eu ainda lembro de como você falava sobre ser vítima das circunstâncias. Eu não sabia quais eram elas, mas prefiro acreditar que eram as culpadas, mesmo.
Sete anos, e não tem um dia sequer que eu não pense em você. Penso na chance que você teria se não tivesse se rendido completamente. Tenho certeza de que teria sido uma pessoa incrível, um pai incrível, um marido incrível, se tivesse superado.
A heroína te tirou de mim, e eu sempre achei que heroínas salvassem as pessoas.
Você dizia que eu era a sua, e por muito tempo a ideia de que eu poderia te salvar me corroeu por dentro. Ler histórias em quadrinho quando se está chapado é capaz de te deixar confuso sobre o que acredita ou não. Eu achava ser a sua mulher maravilha, ou algo do tipo.
Fiquei achando que era culpa minha, e quase tive o mesmo fim que você. Essa ideia de que eu era a sua heroína, e que foi a heroína que te matou, fez com que me sentisse culpada.
Mas sua heroína era outra.
Lembrei das várias noites banhadas à pinga de dois reais, e de você segurando meu cabelo pra eu vomitar. Nós ríamos de tudo. Qualquer pedra caindo no chão era capaz de nos deixar sem fôlego.
Hoje, só bebo café.
Você costumava me contar a história de um amigo seu de infância, que mal saía de casa, e gostava muito de ler livros. Você dizia que ele nao aproveitava a vida, e que morreu por causa disso. Você dizia que não conseguiria passar uma noite sequer dentro de casa, e que livros não davam barato. Eu descobri que amo ler, e sempre dou risada quando penso na cara que você faria se me visse sentada numa poltrona com um livro aberto em meu colo.
"Um dia, nós vamos pra Europa. Em alguns lugares, lá é tudo liberado. Ir pra lá com você vai ser a melhor coisa do mundo".
"Você me faz bem, sabe? Chega a me fazer mais bem que a maconha.. E olha que isso é raro acontecer".
Sete anos, e eu ainda lembro de como você falava sobre ser vítima das circunstâncias. Eu não sabia quais eram elas, mas prefiro acreditar que eram as culpadas, mesmo.
Sete anos, e não tem um dia sequer que eu não pense em você. Penso na chance que você teria se não tivesse se rendido completamente. Tenho certeza de que teria sido uma pessoa incrível, um pai incrível, um marido incrível, se tivesse superado.
A heroína te tirou de mim, e eu sempre achei que heroínas salvassem as pessoas.
Você dizia que eu era a sua, e por muito tempo a ideia de que eu poderia te salvar me corroeu por dentro. Ler histórias em quadrinho quando se está chapado é capaz de te deixar confuso sobre o que acredita ou não. Eu achava ser a sua mulher maravilha, ou algo do tipo.
Fiquei achando que era culpa minha, e quase tive o mesmo fim que você. Essa ideia de que eu era a sua heroína, e que foi a heroína que te matou, fez com que me sentisse culpada.
Mas sua heroína era outra.
Back to business.
Business ou não, o fato é que minhas aulas voltaram. O que quer dizer que voltei a escrever.
Em breve novas postagens.
Em breve novas postagens.
Answer.
Não foi fácil, sabe? Aquela coisa toda de ir embora... Foi desgastante e confuso, e hoje eu acredito que tenha sido errado. Errado e precipitado.
Eu sei que é egoísta da minha parte aparecer depois de dois anos e te mergulhar nesse pedido de desculpas que você sempre soube que existiu, mas nunca teve. Eu vi o quanto você sofreu, eu vi o quanto você se perdeu.
Não foi fácil, sabe? Eu tive que me desfazer daquela música, também. E quando meu celular tocou, mostrando que era você, mostrando que estava no show, eu quis atender, eu quis gritar que a Alemanha nao é nada, que eu a queria aqui comigo! Não tive coragem.
Eu também sinto sua falta. Sinto mesmo, de verdade.
Que raiva do avião que me levou daí.
Eu sei que é egoísta da minha parte aparecer depois de dois anos e te mergulhar nesse pedido de desculpas que você sempre soube que existiu, mas nunca teve. Eu vi o quanto você sofreu, eu vi o quanto você se perdeu.
Não foi fácil, sabe? Eu tive que me desfazer daquela música, também. E quando meu celular tocou, mostrando que era você, mostrando que estava no show, eu quis atender, eu quis gritar que a Alemanha nao é nada, que eu a queria aqui comigo! Não tive coragem.
Eu também sinto sua falta. Sinto mesmo, de verdade.
Que raiva do avião que me levou daí.
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Dont waste your time.
Em tempo:
Eu nunca disse que escrevia bem.
Eu nunca disse que escrevia bem.
Cativar-te-ei. Ou não.
E nós estavámos ali, parados no meio daquela praça vazia, sem dizer nada. O vento fazia seus cabelos balançarem de um jeito disforme, agradável.
Há doze meses você pediu permissão para se sentar na cadeira vaga da mesa em que eu estava, naquela cafeteria simpática no centro da cidade. Há doze meses, eu o permiti. Há doze meses, sentados frente a uma mesa daquela cafeteria simpática, nós conversamos sobre nossas vidas e gostos. Há doze meses, passamos a nos encontrar sempre naquela mesma mesa daquela cafeteria simpática.
Você me cativou, me fez precisar da sua companhia, da sua voz, do seu sorriso, do seu cheiro, das suas cores. Você me cativou.
E naquela hora, aquela na praça vazia, com o vento... estava tão frio. O que eu mais queria era que você me abraçasse, mas isso não aconteceu. Não naquela hora fria. Você, por dentro, estava como o final do mês de junho, como o vento que batia no meu e no seu rosto. Você não era nada você. Ou então estivesse sendo mais do que nunca. Mas o que marcou, foi que você, em meio aquelas golfadas frias de ar, não era nada eu.
E única coisa em que eu pensava era seu hálito de café habitual, que aliás, no momento não existia. Seu hálito de café e tudo que estava relacionado a ele: as vezes em que você me acordou sussurando em meu ouvido, os beijos, as brigas, as conversas, os abraços, a gente. Naquela hora, era como se nada disso tivesse existido.
Você finalmente me abraçou, mas não dizia nada. Eu não queria mais ficar envolta em seus braços, eu queria uma explicação. Mas o que recebi foi seu sussuro - sem cheiro de café -, dizendo "acabou".
E agora eu me pergunto, te pergunto: você não aprendeu com O Pequeno Príncipe que nós nos tornamos responsáveis pelo que cativamos?
Eu aprendi que nós só conhecemos bem as coisas que cativamos, e naquela hora, eu não te conhecia.
Há doze meses você pediu permissão para se sentar na cadeira vaga da mesa em que eu estava, naquela cafeteria simpática no centro da cidade. Há doze meses, eu o permiti. Há doze meses, sentados frente a uma mesa daquela cafeteria simpática, nós conversamos sobre nossas vidas e gostos. Há doze meses, passamos a nos encontrar sempre naquela mesma mesa daquela cafeteria simpática.
Você me cativou, me fez precisar da sua companhia, da sua voz, do seu sorriso, do seu cheiro, das suas cores. Você me cativou.
E naquela hora, aquela na praça vazia, com o vento... estava tão frio. O que eu mais queria era que você me abraçasse, mas isso não aconteceu. Não naquela hora fria. Você, por dentro, estava como o final do mês de junho, como o vento que batia no meu e no seu rosto. Você não era nada você. Ou então estivesse sendo mais do que nunca. Mas o que marcou, foi que você, em meio aquelas golfadas frias de ar, não era nada eu.
E única coisa em que eu pensava era seu hálito de café habitual, que aliás, no momento não existia. Seu hálito de café e tudo que estava relacionado a ele: as vezes em que você me acordou sussurando em meu ouvido, os beijos, as brigas, as conversas, os abraços, a gente. Naquela hora, era como se nada disso tivesse existido.
Você finalmente me abraçou, mas não dizia nada. Eu não queria mais ficar envolta em seus braços, eu queria uma explicação. Mas o que recebi foi seu sussuro - sem cheiro de café -, dizendo "acabou".
E agora eu me pergunto, te pergunto: você não aprendeu com O Pequeno Príncipe que nós nos tornamos responsáveis pelo que cativamos?
Eu aprendi que nós só conhecemos bem as coisas que cativamos, e naquela hora, eu não te conhecia.
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Voce foi embora.
Você foi embora, saiu do Brasil. Nem me disse quando ia, ou para onde ia. Fiquei de novo sem suas palavras - aquelas, trocadas de dia, de tarde, de madrugada, sussuradas, cantadas. Aquelas que eu tanto amava.
Tenho pensado na possibilidade de você lembrar meu nome e meu timbre de voz, mas se sequer deu-se ao trabalho - pequeno, diga-se de passagem - de se despedir, quem dirá que ainda lembra de mim, de tudo o que aconteceu? Talvez até se lembre, mas não liga. Pouco caso das nossas palavras, mais uma vez.
A vontade de ter te visto no show daquela banda - aquela que você me ensinou a gostar - foi imensa. Me fez discar seu número no meu celular e levá-lo à orelha, enquanto o vocalista cantava aquele trecho "sem você na cidade, tudo que tem lá também sumiu". Você não atendeu. Eu queria fazer com que ouvisse a música, com que lembrasse. Com que sentinsse o que eu senti.
Mas não aconteceu nada. Nosso relacionamento de fases - como a mulher da música do Raimundos - havia acabado.
Que raiva do avião que te levou daqui.
Tenho pensado na possibilidade de você lembrar meu nome e meu timbre de voz, mas se sequer deu-se ao trabalho - pequeno, diga-se de passagem - de se despedir, quem dirá que ainda lembra de mim, de tudo o que aconteceu? Talvez até se lembre, mas não liga. Pouco caso das nossas palavras, mais uma vez.
A vontade de ter te visto no show daquela banda - aquela que você me ensinou a gostar - foi imensa. Me fez discar seu número no meu celular e levá-lo à orelha, enquanto o vocalista cantava aquele trecho "sem você na cidade, tudo que tem lá também sumiu". Você não atendeu. Eu queria fazer com que ouvisse a música, com que lembrasse. Com que sentinsse o que eu senti.
Mas não aconteceu nada. Nosso relacionamento de fases - como a mulher da música do Raimundos - havia acabado.
Que raiva do avião que te levou daqui.
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